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Quem nomeia nossos sentimentos?

  • Foto do escritor: André Lombardi
    André Lombardi
  • 24 de set. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de dez. de 2025


Na psicologia, é comum ouvirmos sobre a importância de dar nome às coisas. Acredita-se que, ao nomear, conseguimos entender melhor aquilo que sentimos. Esse pensamento não está apenas na psicologia: em várias áreas do conhecimento, atribuir nomes e categorias é visto como um passo fundamental para compreender o mundo.

Mas quando falamos de sentimentos e emoções, é importante lembrar que todo conceito é um recorte. Mesmo as definições mais pesquisadas e elaboradas carregam limitações, pois refletem uma perspectiva específica. Ou seja, não existe conceito neutro: sempre há um ponto de vista por trás daquilo que é nomeado.

O problema é que esses conceitos também estão atravessados por relações de poder. Quanto mais acreditamos que uma definição é absoluta, mais legitimidade damos ao campo que a produziu para determinar como devemos entender nossas experiências. Assim, aquilo que poderia nos ajudar a compreender o sofrimento também pode, paradoxalmente, silenciar partes importantes da nossa vivência.

Um exemplo é o diagnóstico de mulheres como “borderline”: parte do sofrimento pode ser reconhecida e legitimada, mas os efeitos das estruturas patriarcais de opressão geralmente ficam de fora, porque não reforçam o discurso dominante dentro da psiquiatria. O mesmo acontece com conceitos amplamente divulgados, como teoria do apego, linguagem do amor, resiliência, tipos de personalidade ou inteligência emocional. Embora possam oferecer insights, eles tendem a enquadrar experiências singulares em moldes rígidos, desconsiderando a pluralidade da vida real.

Isso não significa que esses conceitos sejam inúteis — eles podem, sim, nos ajudar a pensar sobre nós mesmos. Mas é essencial compreender que nenhum conceito será suficiente para abarcar a totalidade da nossa experiência. E é nesse ponto que a terapia se torna tão importante: ela oferece um espaço para construir uma narrativa própria, que não se limita a sentidos pré-concebidos, mas que nasce das referências, histórias e afetos de cada pessoa.

A terapia online pode ser esse lugar de escuta atenta e reflexão crítica, onde você aprende a dar novos significados às suas vivências sem precisar reduzi-las a rótulos. Se sentir que esse é o momento de começar esse processo, entre em contato e vamos construir juntos esse caminho.

Três ovos apoiados em sua embalagem tradicional com dois mais a frente e um mais ao fundo, nesses ovos estão desenhado rostos que representam emoções humanas, como tristeza, alegria e preocupação

 
 

Psicólogo André Lombardi
CRP 06/143498​

(11) 97110-9172
andre@labirinto.run

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