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O que a gente leva na mala quando se muda de país

  • Foto do escritor: André Lombardi
    André Lombardi
  • 28 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Mudar de país costuma vir carregado de promessa: nova vida, novas oportunidades, novas relações, novas possibilidades de quem podemos ser. E, sim, muita coisa realmente muda. A rotina muda, a língua muda, o corpo muda, as relações mudam — até a forma como caminhamos pela rua parece outra.

Mas, junto com tudo isso, existe algo menos falado: aquilo que não muda.

Muitas pessoas se surpreendem ao perceber que, mesmo vivendo em outro lugar do mundo, certas dores continuam, certos padrões se repetem, certas inseguranças ganham novas formas. Às vezes, estar longe ilumina aquilo que antes estava tão misturado na vida cotidiana que a gente nem conseguia enxergar. A distância cria perspectiva: traz clareza, mas também traz desconforto. Sentimentos que nunca tínhamos sentido aparecem. Pensamentos que nunca tivemos ganham voz. Aspectos nossos que sempre estiveram ali, mas escondidos, começam a pedir atenção.

E, nesse processo, surge um paradoxo difícil: para atravessar tudo isso, precisamos de rede de apoio — mas, muitas vezes, ela não está mais perto. As pessoas que nos conhecem desde sempre estão longe, com fuso diferente, com outras vidas acontecendo. Ao mesmo tempo, nos países onde passamos a viver, ainda estamos criando vínculos, ainda não existe intimidade suficiente para compartilhar certas dores. É como estar em trânsito emocional constante: não completamente lá, não completamente aqui.

Além disso, morar fora também expõe desigualdades, pressões e violências que não aparecem nas fotos bonitas: adaptação cultural, solidão, xenofobia, expectativas irreais de sucesso, a sensação de que “dar errado” não é uma opção. Tudo isso atravessa o corpo e a vida psíquica.

Por isso, muitas vezes, a maior dificuldade de mudar de país não é o que se transforma — é o que permanece. E o que permanece ganha um novo contorno, uma nova luz, um novo peso.

A terapia pode ser um espaço para sustentar esse processo. Um lugar onde você não precisa performar sucesso, força, adaptação exemplar. Um espaço para acolher tanto as transformações quanto aquilo que insiste em permanecer, para olhar para a vida com mais cuidado, profundidade e sentido — sem pressa, sem julgamento.

Se você está vivendo fora do Brasil e percebe que a mudança trouxe consigo questões novas (ou antigas, com novas cores), podemos conversar. A terapia online pode ser um apoio para esse momento, um espaço seguro para navegar por tudo isso junto com alguém. Se sentir que faz sentido, entre em contato — será um prazer caminhar com você nesse trecho da sua história.

Um avião voando a distância em um céu azul

 
 

Psicólogo André Lombardi
CRP 06/143498​

(11) 97110-9172
andre@labirinto.run

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