Não existe decisão puramente técnica.
- André Lombardi

- 24 de set. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 28 de dez. de 2025
Toda decisão apresentada como “puramente técnica” parte de uma visão epistemológica, política e ética do mundo. Mesmo o conhecimento que parece mais neutro e objetivo carrega consigo um olhar sobre a realidade, uma intenção de como se relacionar com ela e um desejo de alcançar determinados resultados. Não existe neutralidade absoluta quando estamos falando de escolhas humanas.
O discurso da “decisão técnica” costuma aparecer em duas circunstâncias: ou quando se pretende esconder um posicionamento ideológico, ou quando esse discurso já foi tão naturalizado que se tornou hegemônico, perdendo sua perspectiva crítica. Em ambos os casos, o risco é que as decisões sejam tomadas como verdades incontestáveis, quando, na realidade, são apenas recortes particulares da complexidade da vida.
Nenhum conhecimento é produzido fora das relações de poder. Muitas vezes, sustentar que minha visão técnica é mais “certa” do que a sua é uma forma de manter status, autoridade e valor social. Esse jogo de poder reforça desigualdades e pode transformar o saber em instrumento de controle em vez de ferramenta de emancipação.
É importante lembrar que nenhuma abordagem dá conta do todo. A psicanálise acessa uma fração da experiência, a TCC outra, a fenomenologia outra, e assim por diante. Cada linha teórica ou prática profissional só enxerga uma parte da complexidade humana. Nenhuma delas é capaz de definir completamente uma pessoa ou reduzir sua vida a um único enquadramento.
Por isso, é fundamental reconhecer que ninguém sabe mais sobre você do que você mesmo. O processo terapêutico deve ser um espaço de emancipação, onde as teorias não aprisionam, mas se tornam recursos para ampliar o olhar. A terapia online pode ajudar você a construir uma narrativa própria, respeitando sua singularidade e fortalecendo sua autonomia diante dos discursos que tentam te reduzir.



